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1º Workshop temático da segunda fase da Coalizão do Setor Elétrico debate os caminhos da eletrificação no Brasil

A Coalizão do Setor Elétrico iniciou, em setembro, o ciclo de workshops temáticos de sua segunda fase. O primeiro encontro, dedicado à eletrificação, reuniu, no Rio de Janeiro, cerca de 120 representantes de empresas, associações e governo para discutir a ampliação do uso da eletricidade na indústria e nos transportes, além dos efeitos da eletrificação para o próprio setor elétrico. A Coalizão é uma iniciativa liderada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e articulada pela PSR, com o apoio de instituições do setor.

O workshop deu sequência às discussões do 1º Fórum de Convergência, realizado em agosto, que definiu, dentre outras questões, a Eletrificação como uma das quatro frentes para a nova fase da Coalizão. Particularmente neste caso, uma frente transversal que envolve outros setores da economia, como transporte e indústria. As discussões vêm ocorrendo nas diversas instâncias do projeto, garantindo a representatividade das empresas e entidades envolvidos nas discussões.

A programação começou com um debate sobre a evolução dos custos da eletrificação no mundo e as tecnologias que já apresentam competitividade no Brasil, como solar, eólica e armazenamento, incluindo soluções mais recentes como as baterias térmicas voltadas ao calor industrial, segmento que responde por cerca de 30% do consumo de energia no mundo. Segundo o CEO da PSR, Luiz Barroso, é fundamental transformar as discussões em diretrizes concretas para orientar o trabalho da Coalizão.

Na indústria, um dos pontos discutidos foi o papel do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado por lei no fim de 2024 e com implementação prevista para ocorrer de forma gradual. O mecanismo pode estimular projetos de eletrificação em setores como mineração, papel e celulose, química e siderurgia. Nesses segmentos, a energia elétrica ainda representa apenas uma parcela do consumo total, enquanto parte dos processos térmicos depende de combustíveis fósseis. O debate apontou para a necessidade de aproximar as política industrial da política energética e de criar mecanismos que estimulem também a demanda por eletricidade, historicamente menos incentivada do que a expansão da oferta.

No painel de transportes, foram apresentados projetos de eletrificação de corredores rodoviários e de frotas urbanas, com metas de ampliação das viagens de caminhões elétricos em rodovias de grande circulação e de descarbonização de frotas de ônibus municipais até o fim da década de 2030. Os casos analisados destacaram o financiamento e a agregação de demanda como fatores relevantes para viabilizar a substituição de veículos convencionais, já que o custo de capital ainda é uma barreira significativa.

Já no setor elétrico, a discussão colocou em evidência o contraste entre as condições favoráveis do Brasil, com uma matriz de geração próxima de 90% renovável ante uma média mundial de cerca de 40%, e os desafios do custo da energia: mais de R$ 60 bilhões em subsídios embutidos nas tarifas e sinais de preço não refletem os custos reais do sistema. Concluiu-se que, para que a oportunidades se convertam em realidade, é preciso agir em três frentes de forma coordenada: investimentos em redes e planejamento de infraestrutura, sinais de preço mais aderentes ao custo real de suprimento e uma governança capaz de reduzir a percepção de risco dos investidores. A convergência entre energia limpa, custo competitivo e potencial de crescimento é rara no mundo e o país precisa aproveitá-la de forma mais ampla e efetiva para sua economia e o clima global.

“Ficou claro para todos nós que o setor elétrico tem um desafio muito grande, seja no sinal de preço, na tecnologia de transmissão, no planejamento ou na resiliência. Se ele não for bem resolvido, todas as ideias que discutimos aqui vão virar apenas um discurso ineficaz”, afirmou Barroso.

Os insumos coletados no workshop serão incorporados às próximas etapas do projeto, que segue com mais três encontros temáticos, dedicados a recursos flexíveis, resiliência e sinais de preço e racionalização de subsídios. A Coalizão conta com o apoio de ABRADEE, ABRATE, ABRACE, ABEEólica, ABIAPE, ABRAGE, Axia, Engie, Energisa, Neoenergia, EDP e CPFL.

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