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Estudos e ferramentas probabilísticas apoiarão distribuidoras para lidar com eventos climáticos extremos

Com o aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos e de seus efeitos para a rede de distribuição de energia elétrica, os estudos e as ferramentas de análises probabilísticas amplamente utilizados no segmento de geração poderão fazer parte do dia a dia das distribuidoras de energia e de demais agentes do setor, auxiliando também no aprimoramento da regulação da distribuição. A opinião é de Mario Veiga, fundador e diretor de Inovação da PSR.

“No fundo, está sendo trazido para a distribuição um mundo de análises probabilísticas e de eventos de incertezas com o qual a geração já trabalha há muito tempo, com secas, etc. Existem técnicas que já foram usadas na geração que também podem ser úteis para esse mundo de distribuição. É trazer um ‘mindset’ de decisão sobre incerteza que é o ‘pão de cada dia’ no mundo da geração”, afirmou Veiga, durante webinar promovido pela MegaWhat sobre o aumento da resiliência das redes em meio às mudanças climáticas.

O evento, transmitido em janeiro e mediado pela jornalista Camila Maia, discutiu os efeitos da mudança climática no setor de distribuição, que recentemente sofreu impactos profundos com ventos fortes no Sudeste e inundações no Sul do país. Esses episódios provocaram interrupções no suprimento de energia para milhões de consumidores, em alguns casos com duração de vários dias, e foram tema do editorial do Energy Report de novembro/2023.

“A mudança climática é um processo contínuo. Ele muda pouco a pouco a distribuição de probabilidade dos ventos, das chuvas, etc. Assim, os eventos mais severos vão ficando pouco a pouco mais prováveis. O ano de 2023 foi um ano em que o mundo inteiro percebeu que há alguma coisa errada. Houve inundações e secas severas no mundo inteiro”, completou Veiga.

Presente ao evento, Angela Gomes, diretora técnica na PSR, lembrou que esse novo cenário e as análises probabilísticas também devem ser incorporadas pela regulação. Os critérios de incerteza podem contribuir para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelecer metas e benchmarks para as distribuidoras, dando o sinal correto de incentivos para elevar a resiliência das redes respeitando o ótimo econômico.

“Se há, de fato, o recrudescimento dos eventos climáticos e eles vão ocorrer com maior frequência, então tem um custo que será imposto de forma mais efetiva ao serviço prestado, seja por um custo maior para reestabelecer a rede após essas interrupções, seja por um custo para a sociedade ficar sem energia, que hoje em dia é muito oneroso”, explicou Angela.

Na mesma linha, Matheus Sabino, team leader na área de Estudos de Transmissão e Distribuição da PSR que também participou do encontro virtual, ressaltou que essa é uma questão que afeta o setor elétrico mundialmente. Ele destacou ainda que o Energy Report apresentou uma série de medidas que estão sendo aplicadas no exterior para lidar com esse desafio.

“Esse portfólio de medidas podem ser escalonadas em curto, médio e longo prazos. Podemos ter medidas simples, com benefício muito rápido, como a questão do manejo da vegetação. Outras medidas mais tecnológicas podem depender de uma sofisticação maior e do casamento com as tendências climáticas. E outras medidas operacionais, da quais, em função da prática internacional, já se tem algumas experiências, podem trazer benefícios”, afirmou Sabino. “É claro que, para isso, a regulação será importante”, completou.

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